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Cooperativa de reciclagem mais antiga de SP enfrenta ordem de despejo

Coopamare, referência nacional, pode ser removida do local onde atua há 37 anos em São Paulo

23/04/2026 às 00:08
Por: Redação

A Cooperativa de Catadores Autônomos de Papel, Aparas e Materiais Reaproveitáveis, conhecida como Coopamare, recebeu uma notificação da administração municipal de São Paulo determinando a desocupação imediata do espaço que ocupa há mais de 30 anos.

 

A prefeitura informou que a decisão baseia-se em um auto de fiscalização emitido em 18 de março, e a notificação oficial foi entregue à cooperativa no último dia 31 do mesmo mês. O documento aponta que a área de 675 metros quadrados, localizada sob o Viaduto Paulo VI, no bairro de Pinheiros, estaria sendo utilizada de forma irregular, sob alegação de invasão.

 

Segundo as informações, o prazo estabelecido para que a Coopamare apresentasse defesa era de 15 dias, e a documentação foi protocolada junto à prefeitura em 2 de abril.

 

A permissão oficial para uso do espaço havia sido revogada pela administração municipal em 2023, sob o argumento de proteção do patrimônio público e alegada existência de risco de incêndio no local.

 

A Coopamare é reconhecida como a mais antiga cooperativa de reciclagem em atividade no país. Em contato para esclarecimentos, a prefeitura não havia respondido até o encerramento da apuração deste material.

 

De acordo com Carla Moreira de Souza, presidente da Coopamare, desde a primeira notificação em 2023, a cooperativa buscou diálogo com a prefeitura, que teria se comprometido a identificar um novo local adequado para a transferência das atividades.

 

"Estamos aqui há 37 anos. Aceitamos ir para outro lugar, desde que seja um galpão onde tenhamos condições de continuar trabalhando. A prefeitura nos oferece outro viaduto, mas o espaço é pequeno e não dá para levar nossas coisas", disse.


 

Na mesma linha, Carla acrescentou que a expectativa dos cooperados é permanecer no local atual ou, alternativamente, que a prefeitura disponibilize um galpão na mesma região, com condições favoráveis para a continuidade das atividades e preservação de seus direitos enquanto trabalhadores.

 

A operação da Coopamare resulta na recuperação de aproximadamente 100 toneladas de materiais recicláveis por mês. O trabalho é realizado por um grupo de 24 cooperados, além do apoio de cerca de 60 catadores autônomos.

 

Mobilização pela permanência da cooperativa

 

Como parte das ações para tentar garantir a permanência da entidade em Pinheiros, a Coopamare lançou um manifesto que acompanha um abaixo-assinado. No documento, a cooperativa defende que manter sua atividade é uma forma de valorizar o trabalho digno, a proteção ambiental e a promoção da justiça social.

 

O manifesto destaca que a Coopamare representa um exemplo de luta, dignidade e compromisso com a sustentabilidade, resultado do esforço conjunto de trabalhadores e trabalhadoras. O texto ressalta que muitos dos integrantes da cooperativa já estiveram em situação de rua antes de encontrarem na atividade de reciclagem uma alternativa honesta de trabalho e transformação de vida, contribuindo para a cidade.

 

Além do impacto social, segundo o manifesto, a organização oferece um serviço fundamental à região, realizando a separação e destinação adequada dos resíduos recicláveis.

 

A entidade argumenta que a atuação da Coopamare reduz a poluição, diminui a quantidade de lixo encaminhado aos aterros sanitários, contribui para a preservação do meio ambiente e proporciona economia aos cofres públicos por meio da redução dos custos com coleta de resíduos.

 

O documento também menciona que a Coopamare é referência de organização social para outros catadores, servindo de modelo para milhares de trabalhadores que buscaram se mobilizar e aprender a partir de sua experiência. Dessa forma, a cooperativa ajuda a combater o desemprego e a informalidade, promovendo a integração formal de catadores que frequentemente enfrentam marginalização social.

 

A entidade recebeu apoio público da Associação Nacional de Catadores/as de Materiais Recicláveis (Ancat), que destacou o papel pioneiro da cooperativa como primeira do gênero no Brasil e ressaltou sua relevância como símbolo da organização da categoria e da inclusão social na reciclagem.

 

De acordo com a Ancat, manter a Coopamare no local é uma forma de reconhecer a importância fundamental do trabalho realizado para a cidade. Também manifestaram apoio institucional à cooperativa a Unicatadores e o Movimento Nacional dos Catadores (as) de Materiais Recicláveis (MNCR).

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