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Supermercados registram alta de consumo no 1º trimestre; cesta básica encarece

Balanço da Abras indica avanço de 1,92% no período, impulsionado por Páscoa e programas sociais, mas com produtos essenciais mais caros.

23/04/2026 às 21:29
Por: Redação

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) divulgou, nesta quinta-feira (23), um balanço que aponta um crescimento de 1,92% no consumo dos lares brasileiros em supermercados durante o primeiro trimestre de 2026. Este avanço reflete uma dinâmica de compras influenciada por fatores sazonais e econômicos, apesar do aumento no custo da cesta de produtos essenciais.

 

O estudo da Abras detalha que, especificamente em março, o consumo registrou uma alta de 6,21% em comparação com o mês de fevereiro. Em uma análise anual, o volume de compras em março de 2026 superou em 3,20% o registrado no mesmo período do ano anterior.

 

Todos os dados apresentados pela entidade foram ajustados pela inflação, utilizando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE. A pesquisa abrangeu todos os tipos e formatos de estabelecimentos supermercadistas no país.

 

A Abras explicou que o significativo aumento observado em março decorreu de dois fatores principais: a antecipação das compras relacionadas à Páscoa, que foi celebrada no início de abril, e o chamado “efeito-calendário” de fevereiro, que, por ter um número menor de dias, naturalmente apresenta um volume de vendas inferior.

 

A injeção de recursos na economia também contribuiu para o desempenho positivo. Em março, o programa Bolsa Família beneficiou 18,73 milhões de famílias, com um montante total de transferências de 12,77 bilhões de reais. Adicionalmente, o segundo lote de pagamentos do PIS/PASEP injetou cerca de 2,5 bilhões de reais no mercado.

 

Aumento nos preços da cesta de produtos

 

Paralelamente ao crescimento do consumo, o indicador Abrasmercado, que monitora a variação de preços de 35 itens de grande demanda, mostrou um incremento de 2,20% em março. Este índice havia registrado variações de +0,47% em fevereiro e uma leve queda de -0,16% em janeiro.

 

Como consequência, o valor médio da cesta de compras passou de 802,88 reais para 820,54 reais em apenas um mês.

 

Entre os produtos básicos que mais tiveram alta, destacam-se o feijão, com um acréscimo de 15,40%, e o leite longa vida, que subiu 11,74%. No acumulado do primeiro trimestre, o feijão apresentou uma elevação de 28,11%, enquanto o leite longa vida aumentou 6,80%.

 

Outros itens com aumentos foram a massa sêmola de espaguete (+0,91%), a margarina cremosa (+0,84%) e a farinha de mandioca (+0,69%).

 

Em contrapartida, alguns produtos registraram queda de preço, como o açúcar refinado (-2,98%), o café torrado e moído (-1,28%), o óleo de soja (-0,70%), o arroz (-0,30%) e a farinha de trigo (-0,24%).

 

No segmento de proteínas, houve aumento nos ovos (+6,65%) e na carne bovina, com o corte do traseiro subindo 3,01% e o dianteiro, 1,12%. Por outro lado, o frango congelado (-1,33%) e o pernil (-0,85%) tiveram redução nos valores em março. Ao longo do trimestre, o corte do traseiro da carne bovina acumulou alta de 6,29%.

 

Os alimentos in natura também apresentaram elevações significativas, com o tomate subindo 20,31%, a cebola 17,25% e a batata 12,17% no mês. No acumulado do trimestre, esses itens registraram altas de 45,43%, 14,06% e 14,04%, respectivamente, atribuídas à sazonalidade e às dinâmicas de oferta.

 

Variações em itens de higiene e limpeza

 

No setor de higiene pessoal, houve reajustes para cima em produtos como sabonete (+0,43%), xampu (+0,34%), papel higiênico (+0,30%) e creme dental (+0,13%).

 

Para a limpeza doméstica, os preços do detergente líquido para louças (+0,90%), desinfetante (+0,74%) e água sanitária (+0,38%) também subiram. A exceção foi o sabão em pó, que apresentou uma queda de 0,29%.

 

Comportamento dos preços por região

 

A análise regional dos preços da cesta de compras em março revelou que o Nordeste teve a maior alta, com 2,49%, elevando o valor médio da cesta de 720,53 reais para 738,47 reais.

 

As variações por região foram as seguintes:

 

  • Nordeste: aumento de 2,49%, com a cesta passando de 720,53 reais para 738,47 reais;
  • Sudeste: aumento de 2,20%, com a cesta passando de 822,76 reais para 840,86 reais;
  • Sul: aumento de 1,92%, com a cesta passando de 871,83 reais para 888,57 reais;
  • Centro-Oeste: aumento de 1,83%, com a cesta passando de 753,20 reais para 766,96 reais;
  • Norte: aumento de 1,82%, com a cesta passando de 875,01 reais para 890,93 reais.

 

Previsões para o segundo trimestre

 

A Abras projeta que o segundo trimestre também poderá apresentar um crescimento no consumo, impulsionado pela antecipação do 13º salário para aposentados e pensionistas do INSS. Estima-se que 78,2 bilhões de reais sejam pagos a aproximadamente 35,2 milhões de segurados, com os depósitos iniciando em 24 de abril.

 

Outro fator que deve injetar recursos na economia é o pagamento do primeiro lote de restituições do Imposto de Renda de 2026. Este lote pode totalizar cerca de 16 bilhões de reais, beneficiando cerca de 9 milhões de contribuintes até o final de maio.

 

Marcio Milan, vice-presidente da Abras, ressaltou a importância de o setor manter o foco na competitividade de preços, na eficiência operacional e no planejamento estratégico.

 

“Mesmo em um cenário favorável para a renda das famílias, o setor mantém foco em competitividade de preços, eficiência operacional e planejamento, diante de eventuais pressões logísticas e de custos no ambiente internacional”, afirmou Milan.

 

Para os meses seguintes, a Abras alerta para o risco de novas altas em alguns alimentos, especialmente aqueles cuja precificação é mais sensível a fatores como custo de frete, condições climáticas e dinâmica da oferta.

 

“A alta do petróleo e o encarecimento do transporte elevam o custo de reposição em cadeias mais longas e intensivas em logística, com potencial de repasse para os alimentos”, explicou Milan.

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